24 de mai de 2012

CAÇADAS DE PEDRINHO

Caçadas de Pedrinho é uma obra de Monteiro Lobato publicada no ano de 1933. Este livro tem sido motico de grande polêmica, pois alguns trechos do mesmo revela certos traços de racismo. A obra conta a história das crianças do Sítio do Pica-pau Amarelo, que decidem caçar uma onça. Então com muito sacríficio eles conseguem caçar a onça, eles compram uma grande brica com a bicharada do Sítio, quase  todos os bichos do Sítio se revoltam contra as crianças, pois elas tinham matado a maior onça que havia dentre os animais. Todos os bichos se reunem e decidem matar as crianças, mas eles não conseguem efetivar o seu plano pma porque elas utilizam uma perna de pau de quatro metros de altura, deste modo ficou quase impossível tentar matá-las.
Além dessa aventura temos também na obra o caso do rinoceronte que foge de um circo e vai até o sítio do Pica-Pau Amarelo em busca de tranquilidade. No início, os maradores do sítio ficam com medo, mas depois até brincam com o rinoceronte. Várias pessoas vão resgatar o rinoceronte, mas nao conseguem, e por isso as crianças do sítio tornam-se as proprietárias do rinoceronte.

É durante todo o desenrolar desta narrativa que vamos ver na obra algumas falas, principalmente da boneca Emília, a questão racista presente no livro. Certos trechos demonstram o negro representado de forma desumana, inferior e ingnorante. 

“Mais corajosa, a negra aproximou-se  viu que era mesmo onça”. (LOBATO, 1933, p. 08)
“É guerra e das boas. Não vai escapar ninguém – nem Tia Nastácia, que tem carne preta” (LOBATO, 1933, p. 13)
“[...] Tia Nastácia, [...] trepou, que nem uma macaca de carvão, pelo mastro de São Pedro acima...”
( LOBATO, 1933, p.23)"Depois voltando-se para Tias Nastácia:
- E você, pretura”? [perguntou Emília]” 
(LOBATO, 1933, p. 24)
...dizem os naturalistas que o rinoceronte é talvez a fera mais traiçoeira e perigosa da África. Se apanha um de nós!...” (LOBATO, 1933, p.35).
“E agora, sinhá? E agora, sinhá? — murmurava, no meio dos credos e figarabudos e pelo - sinais que não cessava de murmurar e desenhar na cara e no peito.”  (LOBATO,1933, p.34).
“A negra que nada sabia a respeito de rinocerontes, ofereceu-se para ir espantar o bicho com a vassoura.”(LOBATO, 1933, p.34).
“...Não é boi Nastácia é ri-no-ce-ron-te – emendou Dona Benta”. (LOBATO, 1933, p.46)
“Para mim é boi – insistiu a negra. – Não sei dizer este nome tão comprido e feio. estou velha demais para decorar palavras estrangeiras”. (LOBATO, 1933, p. 46)
— Tenha paciência — dizia a boa criatura. — Agora chegou minha vez. Negro também é gente, sinhá...” (LOBATO, 1933, p. 49)
 
 
Devido a esses trechos que demonstra a figura do negro de forma inferiorizada é que no ano de 2010 o Conselho Nacional de Educação (CNE) emitiu um parecer classificando o livro Caçadas de Pedrinho como racista.
O CNE recomendou que o  MEC não distribuísse esta obra a escolas públicas ou que as editoras inserissem no livro uma "nota explicativa" sobre suposto teor racista, que estaria presente principalmente em passagens relativas à personagem Tia Nastácia. Mas depois O texto foi revisto pelo CNE; e a nova versão aprovada afirma que é importante que a escola faça uma "contextualização" dos autores e dos livros, especialmente aqueles produzidos em período em que pouco se falava em preconceito racial.O texto também ressalta que não se deve proibir o acesso dos estudantes a nenhuma obra literária. Logo diante de tantas controvésias acerca desta obra não devemos deixar de trabalhar com o livro nas salas de aula. Não vamos negar a postura racista do autor, mas também não devemos deixar de mostrar a importância que Monteiro Lobato deve na introdução da literatura infantil no Brasil. Bem como explorar da obra a questão do racismo, fazendo uma relação com outras obras que valoriza o negro, além de também trabalhar com outras temáticas tal como o meio ambiente. 

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